6.3.12

Um dia na aldeia a fazer pão ou o sabor da amizade

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

O pão é um dos pilares da nossa alimentação e da nossa cultura. Representa todo um conjunto de rituais em torno da mesa, da partilha daquilo que nos é mais caro e da própria natureza humana. O pão é metáfora da vida. Crescemos com a certeza de que toda a gente come pão e que não se pode viver sem ele. Sinónimo de alimento da alma, comida para o estômago e refeição. E contudo muitos nunca puseram a "mão na massa". Nunca acenderam o lume num forno a lenha. Nunca comeram pão quente saído do forno. E deviam porque é uma experiência única.

O convite começa como pretexto para um encontro. Mais ao Sul. Pôr a conversa em dia. Risos ruidosos. Petizes aos saltos, em liberdade. Vamos? Disfrutar a amizade, um Sábado no campo e uma fornada de pão. Pode lá o programa ser melhor.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

O sabor da amizade servido à mesa. Na aldeia a fazer pão com os amigos. Mas afinal a que sabe a amizade? Sabe ao melhor bolo do mundo, a laranja doce e a peixe grelhado. Sabe a mar e a terra. Sabe a pão com chouriço, quente a queimar a língua, divido por quantos se reúnem em volta do forno. Com o sol a bater nas costas e uma conversada sem fim. Entre a partilha dos saberes e dos sabores.

Foi assim o nosso fim de semana. Resta-nos agradecer a quem com tanto carinho nos recebeu. Obrigada! E contar-vos a história do nosso dia.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

Seguimos por caminhos novos. Perdemo-nos. Uma e outra vez. Lá nos encontramos. Mas faz-se tarde. Chegamos com o pão já amassado por mãos mais sábias que as nossas. Dedos que avançam sozinhos, com a certeza de quem já fez o mesmo caminho milhares de vezes. Alguidares de barro, tabuleiros de madeira e panos brancos. A massa a levedar. A barriga a dar horas. Almoçamos.

Com a tarde já chegada, falta acender o lume que aquecerá o forno que há-de cozer o pão. E os pães com chouriço e o pão de torresmos. E os bolos de erva-doce e azeite. E os "Ss". Carregar a lenha. Tomar conta do fogo. Alguém se habilita?

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside



É chegada a hora de tender o pão. Dividir a massa. Dispor cada bola, enfarinhada, num tabuleiro. Fazer os pães com chouriço. Tira-se a pele? Sim! Câmaras fotográficas para o lado, facas distribuidas e cá vamos nós. Bolinhas de massa estendidas. Rodelas de chouriço dispostas em fila. Enrola-se. Tabuleiros de alumínio sobre as mesas. Farinha a perder de vista.

Falta apenas usar as sobras da massa do pão no fundo do alguidar para as "costas". Bolos doces com o azeite a erva-doce num casamento feliz. Os meus favoritos.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside
Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

Todo o processo de fazer o pão tem um saber. Cada etapa, cada movimento, cada tempo. Tudo sustentado por anos e anos de ir fazendo e ver fazer. Uma aprendizagem do quotidiano, à guarda de quem continua todas as semanas a amassar e cozer o pão que há-de dar de comer a uma casa ou duas. O branco dos panos, das roupas e os utensílios, de madeira e ferro. Os termos próprios, o processo. Fermento. Água. Farinha. Amor.

Todos os ingredientes do pão. A que se junta a amizade.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

21 comentários:

  1. Suzana, senti-me novamente ali sentada à beira do forno, com o sol a aquecer-nos a conversa.
    Foi mesmo um sábado cheio. De todas as coisas boas que um dia feliz nos dá.
    Beijo grande.

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  2. Que maravilha de fim de semana! Também eu queria ir amassar pão e comê-los depois de saído do forno a lenha! Inveja pura, da boa, é o que me preenche neste momento. E uma fome enorme de pão com chouriço!!!!

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  3. Adoro pão acabadinho de cozer...
    Tenho muita sorte... a minha avó ainda coze o pão, lá na aldeia!!!
    Bjs

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  4. Uma combinação perfeita :)pão e amizade! há dias assim mesmo bons, simples mas cheios de boa comida, amizade, longas conversas e sorrisos verdadeiros :)
    Esses sim são bons dias! beijinho

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  5. Minha querida, as tuas fotografias recriam na perfeição o ambiente amistoso daquela aldeia e saber e sabor do pão feito à mão e cozido em forno de lenha. Esse saber que já pouco existe.. Foi um dia muito bom! Obrigada também pela tua companhia e do "sr. do forno". :)) beijinho grande!

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    1. O bolo, Margarida. O bolo. Inesquecível! Se esta semana não há batata doce no mercado, nem sei. ;)

      Um beijo*

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  6. Saudades... bem grandes, de ajudar a minha avó a fazer pão. E bolos, com chouriço ou toucinho... e bôla de sardinhas, que se fazia muito aqui no Norte. Boas lembranças me trouxeram estas imagens, algo que já não vêmos nos dias de hoje.
    Beijinho

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  7. Das melhores memórias que tenho em miuda, é uma de comer pão quentinho saido de um forno de lenha com queijo fresco(mesmo fresco) feitos por uma srª de já muita idade. Uma delicia que perdura! Sempre vi a minha avó e o meu pai a amassarem o pão e a acenderem o forno de lenha, por isso dou valor ao trabalho que dá fazê-lo.Deve ter sido um dia muito bom ...

    Bjoka
    Rita

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  8. Suzana,
    A minha família sempre viveu na cidade. Lembro-me de não perceber bem o que diziam os meus amigos quando nos contavam que iam passar as férias "à terra".
    Há uns anos a minha mãe comprou uma casa no campo, tinha um forno e tudo. A minha mãe aprendeu a fazer pão, a criar galinhas, fazer crescer uma horta e até a fazer queijo. Com este teu fim de semana lembrei-me das férias em casa dela, e das costas!! Ui há anos que n como costas!! Obrigada por partilhares este momento passado entre amigos connosco.

    bjs

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  9. Bateu uma saudade enorme da minha infância.. e de ver a minha bisavó a cozinhar no seu fogão e forno a lenha, e o sabor único. hummm

    Bjo

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  10. Suzana querida
    Guiei-me pelas tuas palavras e imagens e vislumbrei um pouco desse encontro, imaginei os gestos, as gargalhadas, as expressões de cada uma de vós e a conversa, ah a conversa......saudades!
    Beijos

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  11. Uma combinação mais que perfeita. Pão e amizade. Sorrisos espalhados num dia tão especial.
    Que inveja! (boa)
    Um beijinho.

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  12. Que lindas palavras mais uma vez. Senti-me na minha infancia em casa da minha tia a fazer esse processo todo do amassar, e meter no forno e depois ainda comer bem quentinho pena que na altura era tão criança e não admirava como agora o podia fazer.. outros tempos :) Adorei o teu post delicioso mesmo!

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  13. Quem me dera mergulhar nessas fotos e poder provar esse pão... deve ter sido um dia mesmo bem passado!
    Babette

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  14. Suzana, que inveja (boa) quer desse dia tão bem passado com tanta amizade à mistura, quer dos locais que nos mostras.
    Mas mais mesmo... dessa forma de fazer pão, desses fornos e bancadas... das farinhas espalhadas até pelo rosto. É que sabes, a minha avó, com quem estive grande parte da minha infância era a padeira da aldeia, e estas fotos recordaram-me esses tempos, do Forno (era assim que se chamava o sítio onde ela fazia o pão), da bata da minha avó, das pombinhas que ela me fazia a partir do pão :D:D
    Ai... tempos que não voltam. E o que eu dava por poder revivê-los.

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  15. Que maravilha de fim de semana, que belo relato e que belas fotografias! E esse pão, que magnífico pão amassado com tanta amizade, com tanto amor, a sair do forno quentinho e a fumegar! Impossível não invejar esses momentos, que por instantes me levaram a imaginar e sonhar que também eu tinha passado um fim de semana assim!! Obrigada pela partilha maravilhosa, trouxe boas imagens à minha mente:)
    Beijinhos.

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  16. não posso deixar de colocar isto aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=krZN9bm3dWU

    algo bastante amador, mas de alguém que ama o pão.
    Este texto e as fotografias deixam o coração quente a quem o lê.

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    Respostas
    1. Obrigada por ter publicado, Catarina! Gostei de ver. ;))

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  17. Mas que maravilha...que saudades do forno da minha avó....bjokitas

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  18. Suzana, as tuas palavras e imagens retratam na perfeição esse dia que só pode ter sido perfeito.
    Um dia passado no meio dos amigos e acompanhado de pão caseiro amassado e tendido por quem sabe, só pode ter sido um dia a não esquecer.
    Um beijinho

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