
Tenho uma predilecção por sótãos onde vivem muitas décadas. Armazéns da vida. Daqueles onde se guarda o que já não serve, o que nunca serviu ou aquilo que não cabe em mais nenhum sítio. Em casa dos meus pais há um espaço desses. São 4 divisões esconsas onde há de tudo. Livros e cadernos de muitos anos de escola. Sofás, camas e mesas sem lugar. Estantes com caixas e caixinhas. Bonecos e jogos. Numa dessas divisões descansam os brinquedos de duas gerações. É a preferida dos meus queridos sobrinhos, claro. Uma espécie de lugar mágico onde as estórias andam pelas paredes e o tempo pára. Há outra divisão mais pequena onde vive uma banda de jazz em cerâmica. É lá que se guardam os serviços de jantar que nunca foram usados, as estatuetas que perderam a cabeça, terrinas e panelas sem uso. É carinhosamente apelidada de Gruta do Ali Babá e a minha favorita. Vá-se lá saber porquê.
Foi lá que desencantei um robot de cozinha com a ajuda da minha mãe. Deve ter uns 20 anos e nunca foi utilizado. A massa desta galette, feita com avelãs, serviu para o experimentar e há-de ser feita outras vezes.

As tartes e empadas podem ser feitas com massa pré-preparada mas fazê-la em casa é muito fácil, sobretudo com um robot de cozinha. Demora 2 minutos a fazer e apenas necessita de meia-hora no frio para estar pronta. O rácio é simples: metade do peso da(s) farinha(s) em gordura, ovo(s) e água gelada que baste. Uma pitada de sal e um pouco de açúcar em pó se se tratar de uma versão doce et voilá. A minha tarte de hoje é rústica e eu chamo-lhe, à boa tradição francesa, galette.
Uma galette é uma tarte feita sem um tarteira e em que a massa é meio dobrada por cima do recheio. Este pode ser doce ou salgado mas um ou outro são quase sempre ricos em frutas ou legumes. Neste caso, fez-se de alho francês e avelãs com um eco de mostarda. As opções são múltiplas e a massa extra é o bónus.
Galette de alho francês com avelãs
4-6 porções, como refeição leve
150 g farinha
50 g avelãs, torradas e raladas
100 g manteiga, fria e em cubos
2 colheres (sopa) água gelada
1 ovo, ligeiramente batido
3 alhos franceses médios, fatiados (se forem tenros, use também a parte verde)
1 colher (sopa) azeite
1 colher (sopa) manteiga
1 colher (sopa) mostarda de Dijon com sementes
2-3 colheres (sopa) vinho branco seco
25 g avelãs, torradas e raladas
2 colheres (sopa) cebolinho picado
2 colheres (sopa) crème fraîche
1 gema batida com um pouco de água, para pincelar
Coloque a farinha com uma boa pitada de sal num robot de cozinha. Ponha a funcionar 2 segundos para "peneirar". Junte as avelãs e misture a manteiga. Pressione o botão até a mistura se parecer com grandes migalhas de pão. Adicione o ovo e 1 ou 2 colheres de sopa de água gelada, ou mais se necessário. Pressione novamente o botão até a massa começar a formar uma bola. Coloque sobre uma superfície enfarinhada e, sem amassar, pressione a massa para esta formar um disco. Cubra com película e refrigere por meia hora.
Aqueça o azeite e a manteiga numa frigideira grande e junte o alho francês. Mexa por 2 minutos ou até o alho francÊs começara a cozinhar. Adicione o vinho branco e deixe o alcool evaporar em lume médio. Junte a mostarda e deixe misturar bem os sabores (2 minutos). Retire do lume, acrescente o cebolinho e as avelãs. Mexa bem para que as ervas e as avelãs fiquem bem distribuidas. Envolva o crème fraîche. Reserve para arrefecer ligeiramente.
Pré-aqueça o forno a 180ºC. Prepare um tabuleiro com uma folha de papel vegetal. Retire a massa do frigorífico e deixe por 2 minutos. Estenda a massa com cuidado sobre uma superfície enfarinhada. Enrole-a no rolo da massa e transfira para o papel vegetal. Disponha o recheio sobre a massa, deixando a toda a volta um rebordo com 5-7 cm. Vá dobrando sobre o recheio o excesso de massa, fazendo pequenas pregas para fechar. Não tem importância se tiver uma espessura diferente. Deve ficar com uma tarte aberta ao meio. Pincele com o ovo e leve ao forno por 25-30 minutos Sirva com uma salada..
Suzana, confesso que partilho contigo essa devoção por sótãos antigos e cheios de coisas velhas.
ResponderEliminarE partilho também o gosto por galettes, acho-as lindas e bem mais apelativas até que uma tarte toda perfeitinha e com forma de tarteira.
Esta que nos sugeres tem uma combinação diferente e inusitada... e certamente deliciosa :)
Ainda não experimentei a galette. Por cá somos fãs da quiche, sendo que o Vel usa uma receita de massa que lhe foi dada pela mãe (e que é segredo) que não precisa de ser estendida em superfície enfarinhada, pode ser estendida directamente na tarteira e depois vai ao frigorífico durante 30 mins. Ou seja, apenas utilizamos um taça (se serve para a massa e depois para o recheio) e a tarteira: muito prático, fácil e rápido...
ResponderEliminarGostei da ideia de misturar a avelã, deve ter ficado muito saboroso :)
Os sótãos sempre foram lugares que adorei mas nunca consegui permanecer muito por lá, pois como sou asmática, e uma das coisas que por lá há sempre em demasia é o pó, ficava muito aflita e tinha de vir apanhar ar fresco. Mas quando por lá andava adorava descobrir o que estava nas caixas e ler os livros muito antigos que já estavam bastante amarelados. Agora já não tenho esse sótão onde ia bisbilhotar mas continuo fascinada por eles, até mesmo para se fazer um quarto bem decorado e cheio de personalidade, como vemos em muitas revistas!
ResponderEliminarEsta galette, bem rústica, foi um re-inaugurar perfeito para esse robot de cozinha.Fico à espera de uma versão doce!
Bjoka
Rita
Os sótãos são verdadeiros poços de recordações e segredos:)
ResponderEliminarCostumo fazer quiches mas as galettes têm uma apresentação muito bonita! Vou experimentar para breve:)
Sítios desses são perfeitos para achados mais que perfeitos...
ResponderEliminarGostei desta tua sugestão...
Fiquei com vontade de experimentar...
Obrigado por partilhares...
Beijinhos e boa semana...
Que engraçado comprei esta semana um robot de cozinha e estou muito satisfeita, fiz uma massa de pizza assim em 2 minutos tambem. O teu tem uma historia que agora é tua, acho lindo! A tua galette está divinal, um beijo.
ResponderEliminarAntes de comprarmos este apartamento, viviamos num prédio com mais de 100 anos, daqueles que vemos nos filmes com escadas em semi caracol, portas de correr e tectos muito altos. O sotão, onde tinhamos uma arrecadação era lindo lindo lindo, as janelinhas redondas eram mais bonitas do que todas as outras, e sendo tão alto podia bem ter sido adaptado tb a apartamentos...ups..divago :)
ResponderEliminarAqui em casa tb n se usam massas pré-feitas, mas o meu processador de alimentos/ robot de cozinha não tem descanso. E há uns dias vi que o podiamos até utlizar paa fazer massa folhada!
Gostei muito da combinação de sabores e das avelãs na base, é uma excelente ideia.
bjs e boa semana (segue amanhã a resposta ao teu e mail)
Os sótãos carregados de memórias e de momentos felizes são sítios lindos e pedaços de vidas.
ResponderEliminarAdoro galletes, e gostei do recheio, da escolha de sabores.
Um abraço.
Uma receita apetitosa... Eu que sou fã de tartes e galettes terei de experimentar!
ResponderEliminarbabette
Eu gosto imenso de procurar coisas antigas, mas em casa da minha mãe não tenho sorte nenhuma, tudo o que não serve ela deita fora.
ResponderEliminarGalettes eu gosto muito, esse aspeto rustico agrada-ma bastante, e a tua está um must
Beijinhos e bom fim de semana
Eu gosto de sótãos e todos os recantos que guardam pequenos tesouros como livros de cozinha antigos. E, claro, galettes são sempre boas desculpas para os cozinhar. :))
ResponderEliminarEssas fatias aí da foto bem que podiam ter vindo aqui para mim.
Bjs
Que vontade de fazer esta receita para o almoço!
ResponderEliminarFiz a gallete, não ficou tão bonita mas ficou delicosa... Para repetir, sem dúvida.
ResponderEliminarAinda bem que gostou. :)
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