4.3.11

Romanesco e cenouras, um salteado de legumes e uma reflexão

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry

Numa breve passagem pelas estantes da livraria, há um livrinho que me chama a atenção: Saber Comer, As 64 Regras de Ouro de Michael Pollan. O autor é conceituado e conhecido. Assim como a minha mania de deambular entre livros e de me fixar neles. Se apenas seis palavras pudessem resumir tudo o que há para dizer em termos de alimentação saudável são as proferidas por Pollan neste livro: "Coma comida. Coma pouco. Sobretudo vegetais." Fácil, não? Não. Óbvio? Sim. Mas as mentalidades são difíceis de mudar. Comemos cada vez mais alimentos processados. Porque é rápido. Porque é fácil. Comemos muito mais do que precisamos e comemos erradamente no que à proporção entre frutas, vegetais, cereais e carne (ou peixe) diz respeito. Calorias à parte, uma das regras mais interessantes é a que se refere ao consumo de proteína animal. "Trate a carne como ingrediente extra para ocasiões especiais". Considerado um provocador nalgumas das suas afirmações, Pollan aponta um dos maiores problemas da dieta actual de milhões de pessoas nas sociedades ocidentais: ingerimos demasiada proteína animal. Cá em casa temos procurado alterar hábitos e, para além das questões de qualidade e proveniência da carne que consumimos, temos de facto reduzido a quantidade.

A discussão sobre o recente aumento no preço dos alimentos (e a previsão que a subida se mantenha) assim como a enorme alteração que isso provoca no preço final das frutas e legumes tem sido frequente na página do facebook do blogue. Não deixa de ser interessante que estando o assunto na ordem do dia, tal não sirva para começar uma verdadeira reflexão sobre a produção de carne em Portugal (importamos quase um quarto da carne que comemos) e a necessidade de comer melhor. E comer melhor passa por comer mais frutas e legumes e menos proteína animal.

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry

Um prato colorido pela presença de vegetais não tem de ser sensaborão. A forma como se confeccionam os legumes é importante para preservar a sua qualidade nutritiva e para reforçar o seu sabor. As cores e as texturas diferentes tornam tudo menos aborrecido. É por isso que a procura de ingredientes diferentes pode ser muito compensadora. Ou pelo menos é o que o verde vibrante do romanesco me suscita quando por debaixo dos brócolos pequeninos surge, no fundo da caixa, uma meia dúzia de pequenas cabeças.

Também chamado couve-flor romana, o romanesco é da família dos brócolos e, claro, da couve-flor. Tem uma cor fabulosa mas muitas pessoas não gostam particularmente do seu sabor, à semelhança da couve-flor. Um cuidado particular é não cozer excessivamente o romanesco. Os seus floretes quando separados precisam apenas de pouco mais de um par de minutos em água a ferver. O romanesco pode ser encontrados nos mercados. Comprei o meu no Mercado do Príncipe Real.

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry



Salteado de romanesco e cenouras

2 porções individuais, como acompanhamento

2 romanescos pequenos, com as folhas exteriores
3 cenouras médias, em palitos
1-2 dente(s) de alho, picado(s) finamente
3 colheres (chá) azeite + extra para servir (opcional)
pimenta preta moída na altura

Separe as folhas exteriores do romanesco e divida os floretes. Numa panela de água com sal, coloque as folhas e os palitos de cenoura. Coza 3 minutos.

Numa frigideira antiaderente, aqueça o azeite com o alho. Escorra as folhas e as cenouras e deite sobre o azeite. Mexa. Coza os floretes de romanesco brevemente (2 minutos). Escorra e junte aos restantes vegetais. Deixe alourar 2 minutos, sem mexer, agitando apenas a frigideira. Tempere com pimenta preta e flor de sal (se necessário). Sirva como acompanhamento de pequenas plumas de porco preto grelhadas.

Para uma versão vegetariana e para servir como refeição, multiplique a receita uma vez e meia e polvilhe com 2 colheres (sopa) de parmesão ralado no momento de servir.

8 comentários:

  1. Sou inteiramente de acordo com essa teoria. Aliás, já há alguns anos que tenho esse principio na minha alimentação.
    Quanto ao romanesco confesso que ainda não experimentei... mas está para breve.

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  2. O seu blog é um dos que me põe a comer mais vegetais. Muito obrigada por isso. Infelizmente faço parte dos milhões de pessoas que não se alimenta(va) lá muito bem, mas são comportamentos que se re-educam e a minha mente é aberta. O meu grande calcanhar de Aquiles são mesmo os doces, que tento fazer agora quando sei que vão ser partilhados por muitas pessoas.
    Obrigada mais uma vez.
    Sandra

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  3. Fujo da carne, mas é mesmo porque não é das minhas comidas favoritas. Já com os legumes tenho uma boa relação, embora gostasse de usar mais os biológicos :) O romanesco é lindo e já vi aqui à venda mas, na altura, não comprei.

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  4. Olá:
    Hoje o comentário é um pouco grande...
    O outro problema de se comer muita carne é a libertação de metano por parte das vacas que é muito mais poluente do que o dióxido de carbono, contribuindo, assim, para o aquecimento global. Além de que a produção de carne gasta muito mais água que a produção de vegetais. Actualmente um dos problemas que estamos a enfrentar é que populações que não tinham por hábito comer carne, como os Asiáticos, estão a descobrir agora esse alimento, o que implica que a libertação de metano está a aumentar bastante. A melhor solução é mesmo fazer refeições vegetarianas que também é muito melhor para a nossa saúde.
    Relativamente à romanesca já tinha experimentado e é uma couve que adoro. O Jaimie Oliver tem uma receita de canelones com romanesca e queijo e é deliciosa.
    beijinhos
    rita

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  5. Adoro essa frase do Pollan, é tão acertiva.
    Eu sou uma adpeta da redução do consumo de proteína animal. Gosto de carne, mas não faço dela a base da minha alimentação. Principalmente porque sei o quanto pode ser saborosa e saciante uma refeição de vegetais.
    Sou especialmente fã da cozedura a vapor, que conserva os nutrientes e os deixa com uma consistência fabulosa. As pessoas falam tanto das «maravilhas da bimby e quase nunca valorizam aquilo que nela mais gosto: a facilidade com que se cozinha a vapor.
    :)
    Adorei o post!
    Beijinhos

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  6. Sou completamente de acordo, mas infelizmente a familia não passa sem carne ou peixe. Quando a mais pequena não está opto por fazer só refeições de legumes, mas quando ela está é mais dificil.
    Nunca experimentei essa couve, vi uma unica vez à venda
    Um beijinho

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  7. Pollan.já ouvi falar muito deste livro. Na casa da minha mae, apesar de sempre haver carne pois muita gente come na casa dela, ela mesma sempre reforçou o consumo de legumes e vegetais. Ha sempre uma super salada - cozida ou fresca. E lembro de minha mãe sempre falando do valor nutritível dos mesmos. posso passar muitos dias sem comer carne. Agora tenho ainda que melhorar muito o meu preparo de legumes. Noto que sempre preparas algo diferente, encantador.

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  8. Nunca vi à venda o romanesco, mas pela explicação tenho mesmo de comprar. Aposto que aqui em casa vão adorar. A Margarida e o Manel adoram broculos.
    Gostei muito da reflexão e eu acabo por ser "obrigada" a isso mesmo. Carne ou peixe só ao almoço ;)
    beijinhos

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