22.7.16

Queques de chocolate branco e groselhas para um agradecimento

Queques de chocolate branco

Olho uma e outra vez o ecrã branco com o cursor a piscar. Tenho sempre um conselho na ponta da língua para quando alguém não sabe por onde começar. Na falta de melhor opinião, o início costuma ser um bom sítio. Comecemos então algures numa Primavera distante que não houve.

Os últimos meses têm sido pródigos em emoções, viagens e longas horas de trabalho. Entre os desafios de todos os dias, eis que surge algum que parece escapar da mão e nos deixa de coração apertado. O membro da família com quatro patas, dezasseis anos e apenas um olho ficou muito doente. Foram manhãs, tardes e noites a gerir o coração e a razão, com o primeiro a ganhar em todas as frentes.

Queques de chocolate branco Queques de chocolate branco

Agora que o céu parece um pouco mais azul, relembro a primeira receita que publiquei aqui. Muffins de mirtilos e a aparição travessa de uma então ainda jovem fera. Porque parece certo na ordem incompreensível do universo, são queques que saem do forno para agradecer a quem dela cuidou nestes tempos difíceis, sempre com um sorriso e muita esperança.

Desta feita, a combinação clássica de chocolate branco e frutos vermelhos fez-se em bolinhos para pequenos-almoços ou lanches tardios. Devem ser consumidos com moderação por gulosos e deixados de lado por quem acha que chocolate de cor branca não o é de facto. Fazem-se num abrir e fechar de olhos e são (foram) devorados num ápice!

Queques de chocolate branco

4.7.16

Uma cozinha de inspiração mediterrânica no Saldanha Mar

Saldanha Mar, Lisboa

Os apetites que nos levam até um restaurante fazem-se de vontades específicas, centradas num ou noutro prato, ou da procura de sabores mais ou menos tradicionais. Hoje apetece-me trazer o mar para a mesa. Já os carnívoros de serviço querem no prato tudo o que a terra lhes pode oferecer. Entre um e o outro fica uma infinidade de possibilidades, sempre guiadas por memórias familiares ou cheiros nunca esquecidos. No Saldanha Mar, a chef Paula Carção comanda uma cozinha onde a tradição da gastronomia portuguesa se alia a um enorme respeito pelos produtos nacionais.

O restaurante, integrado no Hotel DoubleTree by Hilton muito perto do Saldanha, abre-se à sua geografia e aproveita a proximidade do Mercado 31 de Janeiro para ter acesso ao peixe que se assume como um pilar essencial da sua carta. É possível encontrar diversas variedades na grelha mas à sexta-feira que o prato do dia reúne em si a essência do mar português: é dia de uma deliciosa massada de peixe e marisco, homenagem da chef ao escritor e crítico gastronómico José Quitério.

Saldanha Mar, Lisboa  Saldanha Mar, Lisboa Saldanha Mar, Lisboa

1.7.16

Almôndegas asiáticas de frango (versão rápida)

Almôndegas asiáticas

Viajar no prato é um privilégio ao alcance dos que não conseguem ficar quietos e sonham acordados com novos lugares, aromas nunca sentidos e sabores de outras paragens. Quando o desejo é partir para Oriente e na direcção do sol nascente nada como puxar de dois ou três temperos e seguir à aventura.

Esta semana foi a vontade de explorar as combinações vietnamesas que prevaleceu. Sem muito tempo, o desejo de uma tigela de noodles de arroz, vegetais crús, pickles rápidos e almôndegas com coentros e gengibre fala mais alto. O prato original bun cha, que serve aqui de inspiração, usa carne de porco mas a versão de hoje é feita com aves na Actifry.

Almôndegas asiáticas

O segredo desta receita começa a ser desvendado quando se ignora o elevado número de ingredientes. Na verdade, todos os procedimentos são rápidos e pode deixar-se organizado o jantar (fazendo os pickles previamente) para depois apenas moldar as almôndegas, hidratar os noodles e servir as tigelas com os vegetais crús.

Tradicionalmente este é um prato servido à temperatura ambiente e que todos gostam. Ou não fosse o molho um apelo irresistível ao lado doce de cada um e a conquista de um sabor intenso que combina na perfeição com a massa de arroz e o crocante da alface e a textura dos pickles. Pode polvilhar-se com amendoins torrados para extra "crunch" e malagueta para os amantes do picante.

Almôndegas asiáticas

29.6.16

Quinoa de espargos para uma tarde de Verão

espargos

Depois de tanto suspirar pelo calor e pelas tardes sem fim, ei-lo que chega. É o Verão a instalar-se de armas e bagagens, as temperaturas a subir e os suspiros a mudarem de justificação. Agora são as férias que nunca mais chegam, ainda que espreitem ali ao virar da esquina, as tardes prometidas de dolce far niente.

Cá por casa fazemos ainda um balanço da estação que passou. Os últimos espargos são solução para almoços rápidos de gente cansada, a precisar de desligar. Mas não importa o cansaço quando o mais bonito dos bouquets espreita por entre as compras do mercado. Há sempre sorrisos quando há espargos.

Quinoa com espargos, mozzarella e amêndoas Lírios do campo

Do campo ou da praia, das flores e do mar, temos até ver apenas uma miragem. Já do almoço tudo se combina e a mesa fica composta em minutos. No tacho, uma mistura de quinoas coze em água borbulhante enquanto por cima uma dezena de espargos aproveita o vapor sem perder o verde. Vegetais, ervas aromáticas e a textura das amêndoas torradas. Só falta o branco imaculado da mozarella e a frescura do manjericão e temos o prato feito.

São servidos?

Quinoa com espargos, mozzarella e amêndoas

24.6.16

{Os pratos preferidos do chef} Um almoço no restaurante Claro

Restaurante Claro

Abre-se uma paisagem de rio emoldurado pela luz radiosa de uma manhã de sábado assim que nos fazemos à estrada. Na Marginal antecipamos a chegada ao Hotel Solar Palmeiras e ao restaurante Claro, a apenas 10 minutos de Lisboa. A cozinha do Claro caracteriza-se pela simplicidade de sabores que nos chegam ao prato de mansinho e nos surpreendem a cada garfada. É assim a abordagem do chef Vítor Claro que na nova carta se assume ainda mais depurada e certa num registo onde a exuberância é deixada ao sabor do comensal, às memórias cruzadas e às referências nacionais e internacionais que se encontram em perfeita harmonia.

De volta a um restaurante conhecido e apreciado, encontramos a sala renovada e ainda mais luminosa, aberta sobre o infinito espelho de água ali ao cruzar da avenida, com as novas mesas e cadeiras a convidarem à permanência mesmo após o final da refeição. Talvez seja o ambiente sereno e o sorriso sempre presente do chef que contribui para que o tempo passe e não se dê por ele. Para abrir, Bacalhau à Conde da Guarda. Este é um dos pratos icónicos do Claro, exemplo último da singeleza da cozinha que aqui se pratica e da complexidade de sabores que se desenrola assim começamos a prová-lo.

Restaurante Claro Restaurante Claro

Para além da cozinha cuidada, o Claro assume uma vertente vínica muito presente em virtude da confessa paixão do chef pelos domínios do vinho que o levaram a lançar-se na produção. O seu Dominó é feito no Alentejo, com uvas provenientes de vinhas em Portalegre, mas o perfil destes vinhos afasta-se das características típicas da região. Tal como no prato, encontramos no copo a mesma aparente ingenuidade, num jogo de surpresa que há-de ser o mote do menu de hoje onde pontuam os pratos preferidos do chef.

Restaurante Claro